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	<title>O Som e a Escritura - Blog</title>
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	<description>Visões, leituras e percepções sobre yoga, tantra e cultura sânscrita.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 10 May 2012 11:48:30 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A dança de Śiva, na Īśvaragītā</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 01:46:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Purāṇas]]></category>
		<category><![CDATA[purāṇa]]></category>
		<category><![CDATA[Śiva]]></category>
		<category><![CDATA[yoga]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis aqui o Śiva que dança a dança do universo, em tradução da Gītā shivaíta, conhecida na tradição como Īśvara-gītā:

Vyāsa disse:
Depois que falou com os yogues, o divino Parameśvara [senhor supremo] dançou, mostrando a forma sublime de sua grandiosa natureza. Eles viram o grande deus, o soberano, um imenso tesouro de luz, próximo a Viṣṇu, dançando no céu imaculado. Aqueles yogues, de mente controlada, conhecedores da essência do Yoga, realmente viram nos ares o senhor de todas as criaturas. Pelos sábios, o senhor de todas as criaturas foi visto dançando sobre si mesmo, já que é por meio dele que o mundo é construção de māyā, e por meio dele também o universo é posto em movimento. De fato, eles viram o senhor da vida, cujos pés possuem a beleza da flor de lótus, que, sendo rememorados em sua dança, removem o medo e a ignorância. Serenos, pacíficos, bons controladores ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis aqui o Śiva que dança a dança do universo, em tradução da Gītā shivaíta, conhecida na tradição como Īśvara-gītā:</p>
<p><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/shiva_shakti_hv26.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-274" title="shiva_shakti_hv26" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/08/shiva_shakti_hv26-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a></p>
<p>Vyāsa disse:</p>
<p style="text-align: justify;">Depois que falou com os yogues, o divino Parameśvara [senhor supremo] dançou, mostrando a forma sublime de sua grandiosa natureza. Eles viram o grande deus, o soberano, um imenso tesouro de luz, próximo a Viṣṇu, dançando no céu imaculado. Aqueles yogues, de mente controlada, conhecedores da essência do Yoga, realmente viram nos ares o senhor de todas as criaturas. Pelos sábios, o senhor de todas as criaturas foi visto dançando sobre si mesmo, já que é por meio dele que o mundo é construção de māyā, e por meio dele também o universo é posto em movimento. De fato, eles viram o senhor da vida, cujos pés possuem a beleza da flor de lótus, que, sendo rememorados em sua dança, removem o medo e a ignorância. Serenos, pacíficos, bons controladores do alento e inspirados pela devoção, todos testemunharam aquele a quem o adepto do Yoga chama de luminosidade. Eles viram o grandioso Rudra nos céus, o libertador, generoso com os devotos, que livra rapidamente da ignorância, o deus na aparição de mil cabeças, mil pés, mil braços, cabelos emaranhados e uma coroa em forma de meia lua, com as vestes de proteção feitas da pele do tigre. Na majestosa mão, o poder do tridente, na outra mão, um bastão, com três olhos, com o resplendor do Sol, da Lua e do Fogo. Eles viram o deus que é a causa de tudo, o soberano dançante, duro de mirar, com presas terríveis, com o brilho de milhares de sóis. Aquele que, por meio da própria luz, faz do ovo de Brahman tudo o que existe, e que, ao emitir o fogo tenebroso, queima completamente o mundo. Aquele que é o Yoga supremo, o deus dos deuses, o senhor dos animais, o soberano beatífico, a luz eterna. O deus do tridente, dos grandes olhos, a cura dos males da vida, que é a essência do tempo, o destruidor do tempo, o grande soberano, o deus dos deuses. O esposo de Umā, com o grande olho, a suprema manifestação do êxtase do Yoga. A fonte do Yoga e do desprendimento, o eterno Yoga do saber. A imponência e a dádiva perpétuas, o alicerce do dharma, de alcance remoto, que é reverenciado por Mahendra [Indra] e Upendra [Viṣṇu], que é louvado pelas hostes dos grandes inspirados. Aquele que reside no coração dos yogues, que está envolvido igualmente pela māyā e pelo Yoga. Por um instante, aqueles que ensinam brahman viram a matriz do mundo, Nārāyaṇa [homem primordial], aquele que traz a saúde. E assim presenciaram a forma do soberano, aquele que é o próprio Nārāyaṇa. E aqueles sábios que ensinam brahman contemplaram em si o próprio ātman na mais completa realização. Sanatkumāra, Sanaka, Bhṛgu, também Sanātana e Sanandana; assim como Raibhya, Aṅgiras e Vāmadeva; Śukra, o grande inspirado Ratri, Kapila e Mārīci, ao verem Rudra, o maior soberano do universo, com o lado esquerdo habitado pelo deus que tem o lótus no umbigo [Viṣṇu], meditaram em sua presença dentro do coração, várias vezes fizeram reverência com a cabeça e com as palmas das mãos unidas sobre a testa. E, pronunciando a sílaba Oṃ, contemplaram o deus instaurado em seus âmagos, no coração. Com a consciência preenchida pela mais elevada satisfação, o adoraram com os dizeres inspirados por brahman.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Disseram os sábios:</p>
<p style="text-align: justify;">Tu, que és o único soberano, o homem dos primórdios, o senhor dos alentos [prāṇa], Rudra, que transmite o Yoga eterno, a ti reverenciamos nós todos, em nosso coração, és Pracetas, és o purificador, és formado de brahman. Os sábios que, pacificados e abrandados, ao terem meditado sobre o ātman imutável dentro de seus próprios corpos, e perceberam a ti como a pura matriz de brahman, de cor radiante, o consideram como o mais inspirado dos mais inspirados, e muito além de tudo isso. A partir de ti, a origem do mundo foi gerada, tu és o âmago do universo, és o átomo, menor do que o menor e maior do que o maior – assim é que os sabedores declaram a ti como brahman. O feto dourado [hiraṇyagarbha] é derivado de ti, és o ātman essencial do mundo, nasceste como o homem primordial. Tudo o que foi criado, o foi junto de ti, de acordo com teu desígnio. Todos os Vedas são criados por ti e, ao final, são tomados também por ti. Nós o vemos dançando, a razão de ser do mundo, e, em nossos próprios corações, estás habitando. Por ti, essa roda de brahman gira, tu que és feito de māyā, és o único senhor dos mundos. Nós o reverenciamos como protetor, és o ātman do Yoga enquanto danças como dançarino divino. A ti, nós contemplamos dançando em meio aos céus elevados! De tua índole grandiosa nós nos recordamos! És o ātman de todos, estás presente em tudo! És o gozo de brahman, que é sempre vivenciado! És a sílaba Oṃ, o som semente [bīja] da libertação, eterno, guardado no mundo material [prakṛti]. Aqui os sábios proclamam o Senhor, que irradia com luz própria, como a realidade por excelência. (&#8230;)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vyāsa disse:</p>
<p>Assim propiciado, o divino Kapardin, que monta o búfalo, tomou sua forma suprema e assumiu seu estado original.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><span style="font-family: Arial Unicode MS;">Kūrmapurāṇa (2.5.1-28, 42)</span></h2>
<p>vyāsa uvāca<br />
etāvaduktvā bhagavān yogināṃ parameśvaraḥ /<br />
nanarta paramaṃ bhāvamaiśvaraṃ saṃpradarśayan // 1 //<br />
taṃ te dadṛśurīśānaṃ tejasāṃ paramaṃ nidhim /<br />
nṛtyamānaṃ mahādevaṃ viṣṇunā gagane &#8216;male // 2 //<br />
yaṃ viduryogatattvajñā yogino yatamānasāḥ /<br />
tamīśaṃ sarvabhūtānāmākaśe dadṛśuḥ kila // 3 //<br />
yasya māyāmayaṃ sarvaṃ yenedaṃ preryate jagat /<br />
nṛtyamānaḥ svayaṃ viprairviśveśaḥ khalu dṛśyate // 4 //<br />
yat pādapaṅkajaṃ smṛtvā puruṣo &#8216;jñānajaṃ bhayam /<br />
jahati nṛtyamānaṃ taṃ bhūteśaṃ dadṛśuḥ kila // 5 //<br />
yaṃ vinidrā jitaśvāsāḥ śāntā bhaktisamanvitāḥ /<br />
jyotirmayaṃ prapaśyanti sa yogī dṛśyate kila // 6 //<br />
yo &#8216;jñānānmocayet kṣipraṃ prasanno bhaktavatsalaḥ /<br />
tameva mocakaṃ rudramākāśe dadṛśuḥ param // 7 //<br />
sahasraśirasaṃ devaṃ sahasracaraṇākṛtim /<br />
sahasrabāhuṃ jaṭilaṃ candrārdhakṛtaśekharam // 8 //<br />
vasānaṃ carma vaiyāghraṃ śūlāsaktamahākaram /<br />
daṇḍapāṇiṃ trayīnetraṃ sūryasomāgnilocanam // 9 //<br />
brahmāṇḍaṃ tejasā svena sarvamāvṛtya ca sthitam /<br />
daṃṣṭrākarālaṃ durdharṣaṃ sūryakoṭisamaprabham // 10 //<br />
aṇḍasthaṃ cāṇḍabāhyasthaṃ bāhyamabhyantaraṃ param /<br />
sṛjantamanalajvālaṃ dahantamakhilaṃ jagat /<br />
nṛtyantaṃ dadṛśurdevaṃ viśvakarmāṇamīśvaram // 11 //<br />
(&#8230;)<br />
munaya ūcuḥ<br />
tvāmekamīśaṃ puruṣaṃ purāṇaṃ<br />
prāṇeśvaraṃ rudramanantayogam /<br />
namāma sarve hṛdi sanniviṣṭaṃ<br />
pracetasaṃ brahmamayaṃ pavitram // 22 //<br />
tvāṃ paśyanti munayo brahmayoniṃ<br />
dāntāḥ śāntā vimalaṃ rukmavarṇam /<br />
dhyātvātmasthamacalaṃ sve śarīre<br />
kaviṃ parebhyaḥ paramaṃ tatparaṃ ca // 23 //<br />
tvattaḥ prasūtā jagataḥ prasūtiḥ<br />
sarvātmabhūstvaṃ paramāṇubhūtaḥ /<br />
aṇoraṇīyān mahato mahīyāṃ-<br />
stvāmeva sarvaṃ pravadanti santaḥ // 24 //<br />
hiraṇyagarbho jagadantarātmā<br />
tvatto &#8216;dhijātaḥ puruṣaḥ purāṇaḥ /<br />
saṃjāyamāno bhavatā visṛṣṭo<br />
yathāvidhānaṃ sakalaṃ sasarja // 25 //<br />
tvatto vedāḥ sakalāḥ saṃprasūtā-<br />
stvayyevānte saṃsthitiṃ te labhante /<br />
paśyāmastvāṃ jagato hetubhūtaṃ<br />
nṛtyantaṃ sve hṛdaye sanniviṣṭam // 26 //<br />
tvayaivedaṃ bhrāmyate brahmacakraṃ<br />
māyāvī tvaṃ jagatāmekanāthaḥ /<br />
namāmastvāṃ śaraṇaṃ saṃprapannā<br />
yogātmānaṃ citpatiṃ divyanṛtyam // 27 //<br />
namo bhavāyāstu bhavodbhavāya<br />
kālāya sarvāya harāya tumyam /<br />
(&#8230;)<br />
tataḥ sa bhagavān devaḥ kaparde vṛṣavāhanaḥ /<br />
saṃhṛtya paramaṃ rūpaṃ prakṛtistho &#8216;bhavad bhavaḥ // 42 //</p>
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		<title>A plenitude do eu (pūrṇāhaṃtā)</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 12:45:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia mística]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[cittta]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[samādhi]]></category>

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		<description><![CDATA[


Pūrṇāhaṃtā
A virtude da mente é o samādhi.
A da linguagem, a poesia.
A dos encontros, o amor.
O &#8220;eu&#8221; que não se prende ao passado
e não espera o futuro
manifesta as três virtudes.
[João Carlos B. Gonçalves]
&#160;
Raga Jaunpuri, por Mallikarjun Mansur

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<h3><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/shivalinga.jpg"><img class="wp-image-637 alignright" title="shivalinga" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/shivalinga-150x150.jpg" alt="" width="50" height="50" /></a></h3>
<h3></h3>
<h3>Pūrṇāhaṃtā</h3>
<p>A virtude da mente é o samādhi.<br />
A da linguagem, a poesia.<br />
A dos encontros, o amor.<br />
O &#8220;eu&#8221; que não se prende ao passado<br />
e não espera o futuro<br />
manifesta as três virtudes.</p>
<p style="text-align: right;">[João Carlos B. Gonçalves]</p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<h4 style="text-align: left;">Raga Jaunpuri, por Mallikarjun Mansur</h4>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/n6vpAbRhlPQ?rel=0" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
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		<item>
		<title>Hino da Criação (Ṛgveda, 10.129)</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=965</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 15:22:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia mística]]></category>
		<category><![CDATA[cosmologia]]></category>
		<category><![CDATA[kāma]]></category>
		<category><![CDATA[ṛgveda]]></category>
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		<category><![CDATA[Veda]]></category>

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		<description><![CDATA[Hino da Criação (Ṛgveda, 10.129)
não era ente nem não-ente outrora
não era céu nem abóboda além
que abrigo abarcava o que?
que era densa água não penetrável?
nem morte nem não-morte naquele tempo
nem dia nem noite era aparição
auto-sustente respirava sem sopro o uno
além dele nenhum outro não era
era treva frente treva oculta
era água tudo irreconhecível
era vácuo coberto de vazio
de máximo calor nasceu o uno
sobre ele convergiu anseio
jorro primordial da mente
do não-ente ao ente um elo obtido
veementes empenharam no coração os sábios
entre eles tira horizontal estendida
o que abaixo era e o que acima era?
criadores eram e poderes eram
abaixo natureza e acima intenção
quem sabe que aqui pode anunciar?
como e onde acontecida criação
depois do fluxo primordial os deuses
quem soube o que existiu além?
se a criação surgiu ou não
e se não e ela foi criada
testemunha no alto céu
ele mesmo sabe ou não sabe?
&#160;
Publicado originalmente em  Celebração do mito no Gītagovinda de Jayadeva – apresentação e tradução do poema ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="font-family: Arial Unicode MS;">Hino da Criação (Ṛgveda, 10.129)</span></h2>
<p>não era ente nem não-ente outrora<br />
não era céu nem abóboda além<br />
que abrigo abarcava o que?<br />
que era densa água não penetrável?</p>
<p>nem morte nem não-morte naquele tempo<br />
nem dia nem noite era aparição<br />
auto-sustente respirava sem sopro o uno<br />
além dele nenhum outro não era</p>
<p>era treva frente treva oculta<br />
era água tudo irreconhecível<br />
era vácuo coberto de vazio<br />
de máximo calor nasceu o uno</p>
<p>sobre ele convergiu anseio<br />
jorro primordial da mente<br />
do não-ente ao ente um elo obtido<br />
veementes empenharam no coração os sábios</p>
<p>entre eles tira horizontal estendida<br />
o que abaixo era e o que acima era?<br />
criadores eram e poderes eram<br />
abaixo natureza e acima intenção</p>
<p>quem sabe que aqui pode anunciar?<br />
como e onde acontecida criação<br />
depois do fluxo primordial os deuses<br />
quem soube o que existiu além?</p>
<p>se a criação surgiu ou não<br />
e se não e ela foi criada<br />
testemunha no alto céu<br />
ele mesmo sabe ou não sabe?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Publicado originalmente em  Celebração do mito no Gītagovinda de Jayadeva – apresentação e tradução do poema sânscrito segundo sua relação com as narrativas épicas&#8221;, dissertação de mestrado, FFLCH-USP, 2004 [João Carlos Barbosa Gonçalves].</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Canto para Lakṣmī</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=929</link>
		<comments>http://www.blog.om.pro.br/?p=929#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 11:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blog.om.pro.br/?p=929</guid>
		<description><![CDATA[
Eis aqui o mahālakṣmyaṣṭakam (mahā-lakṣmī-aṣṭakam) &#8211; o canto sagrado para a deusa Lakṣmī. Deusa que mantém, que nutre, que nos provê tudo aquilo que permite estarmos em boas condições materiais. Os aṣṭaka&#8217;s são hinos de 8 (aṣṭa) estrofes utilizados como prece e louvor. Nesse aṣṭaka, a deusa é invocada como mahā (suprema), isto é, sua forma universal. Na forma universal, nos dirigimos a ela da mesma forma como nos dirigimos à  &#8220;Deusa suprema&#8221; (Mahādevī).
Criei esse vídeo para que os alunos do curso de sânscrito possam acompanhar o canto lendo diretamente no devanágari. Para os que não lêem devanágari, desfrutem da recitação, que é muito bela*:
*não conheço o recitador, se alguém conhecer, por favor, diga para mim, para que eu coloque os devidos créditos.

&#124;&#124; श्री महालक्ष्‍म्यष्‍टकम् &#124;&#124;
नमस्तेऽस्तु महामाये श्रीपीठे सुरपूजिते &#124;
शंखचक्रगदाहस्ते महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते &#124;&#124;१&#124;&#124;
नमस्ते गरुङारूढे कोलासुरभयंकरि &#124;
सर्वपापहरे देवि महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते &#124;&#124;२&#124;&#124;
सर्वज्ञे सर्ववरदे सर्वदुष्टभयंकरि &#124;
सर्वदुःखहरे देवि महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते &#124;&#124;३&#124;&#124;
सिद्धिबुद्धिप्रदे ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/mahalakshmyastakam1.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-941" title="mahalakshmyastakam" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/mahalakshmyastakam1-1024x612.jpg" alt="" width="518" height="309" /></a></p>
<p>Eis aqui o mahālakṣmyaṣṭakam (mahā-lakṣmī-aṣṭakam) &#8211; o canto sagrado para a deusa Lakṣmī. Deusa que mantém, que nutre, que nos provê tudo aquilo que permite estarmos em boas condições materiais. Os aṣṭaka&#8217;s são hinos de 8 (aṣṭa) estrofes utilizados como prece e louvor. Nesse aṣṭaka, a deusa é invocada como mahā (suprema), isto é, sua forma universal. Na forma universal, nos dirigimos a ela da mesma forma como nos dirigimos à  &#8220;Deusa suprema&#8221; (Mahādevī).</p>
<p>Criei esse vídeo para que os alunos do curso de sânscrito possam acompanhar o canto lendo diretamente no devanágari. Para os que não lêem devanágari, desfrutem da recitação, que é muito bela*:</p>
<h6 style="text-align: right;">*não conheço o recitador, se alguém conhecer, por favor, diga para mim, para que eu coloque os devidos créditos.</h6>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/N68DO3wHJ5o?rel=0" frameborder="0" width="567" height="425"></iframe></p>
<p><span style="font-family: Kalimati;">|| </span><span style="font-family: Kalimati;">श्री महालक्ष्‍म्यष्‍टकम् </span><span style="font-family: Kalimati;">||<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">नमस्तेऽस्तु महामाये श्रीपीठे सुरपूजिते </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">शंखचक्रगदाहस्ते महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">१</span><span style="font-family: Kalimati;">||<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">नमस्ते गरुङारूढे कोलासुरभयंकरि </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">सर्वपापहरे देवि महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">२</span><span style="font-family: Kalimati;">||</span></p>
<p><span style="font-family: Kalimati;">सर्वज्ञे सर्ववरदे सर्वदुष्टभयंकरि </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">सर्वदुःखहरे देवि महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">३</span><span style="font-family: Kalimati;">||<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">सिद्धिबुद्धिप्रदे देवि भुक्तिमुक्तिप्रदायिनि </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">मंत्रमूर्ते सदा देवि महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">४</span><span style="font-family: Kalimati;">||</span></p>
<p><span style="font-family: Kalimati;">आद्यन्तरहिते देवि आद्यशक्तिमहेश्वरि </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">योगज्ञे योगसंभूते महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">५</span><span style="font-family: Kalimati;">||<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">स्थूलसूक्ष्ममहारौद्रे महाशक्तिमहोदरे </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">महापापहरे देवि महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">६</span><span style="font-family: Kalimati;">||</span></p>
<p><span style="font-family: Kalimati;">पद्मासनस्थिते देवि परब्रह्मस्वरूपिणि </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">परमेशि जगन्मातर्महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">७</span><span style="font-family: Kalimati;">||<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">श्वेतांबरधरे देवि नानालंकारभूषिते </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">जगत्स्थिते जगन्मातर्महालक्ष्मि नमोऽस्तु ते </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span><span style="font-family: Kalimati;">८</span><span style="font-family: Kalimati;">||</span></p>
<p><span style="font-family: Kalimati;">महालक्ष्म्यष्टकस्तोत्रं यः पठेद्भक्तिमान्नरः </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">सर्वसिद्धिमवाप्नोति राज्यं प्राप्नोति सर्वदा </span><span style="font-family: Kalimati;">||<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">एककाले पठेन्नित्यं महापापविनाशनम् </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">द्विकालं यः पठेन्नित्यं धनधान्यसमन्वितः </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span></p>
<p><span style="font-family: Kalimati;">त्रिकालं यः पठेन्नित्यं महाशत्रुविनाशनम् </span><span style="font-family: Kalimati;">|<br />
</span><span style="font-family: Kalimati;">महालक्ष्मीर्भवेन्नित्यं प्रसन्ना वरदा शुभा </span><span style="font-family: Kalimati;">||<br />
|| </span><span style="font-family: Kalimati;">इति महालक्ष्म्यष्टकं संपूर्णम् </span><span style="font-family: Kalimati;">||</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Curso: leitura do Yogasūtra de Patañjali</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=895</link>
		<comments>http://www.blog.om.pro.br/?p=895#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 10:42:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Yogasūtra]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta postagem, serão publicados os principais pontos do comentário que Vyāsa faz sobre o Yogasūtra (YS), na sua obra conhecida como Yoga-bhāṣya (YBh). Os sūtras e seus respectivos comentários serão acrescentados ao post no mesmo andamento com que progredimos em nossa leitura durante as aulas. A intenção aqui é manter uma base para os alunos que estão frequentando presencialmente o curso, bem como apresentar esse importante (para não dizer fundamental) comentário do YS de uma forma em que possa ser mais amplamente conhecido.
Os sūtras aparecem em sua versão integral, enquanto que o comentário será transcrito em partes, criando assim uma estrutura de tópicos relevantes para o entendimento do YS.
&#8212;&#8212;
YS 1.1. atha yogānuśāsanam
atha &#8211; eis.
yoga &#8211; yoga.
anuśāsanam &#8211; ensinamento.
&#8220;Eis o ensinamento do yoga.&#8221;
YBh. 1.1.

atha.ity.ayam adhikāra.arthaḥ &#8211; &#8220;a palavra &#8216;atha&#8217; tem o sentido de início.&#8221;
yogaḥ samādhiḥ &#8211; &#8220;yoga é samādhi.&#8221;
sa ca sarva-bhaumaś cittasya dharmaḥ &#8211; &#8220;(Yoga ou samādhi) está na essência de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/patanjali.jpg"><img class="size-medium wp-image-788 aligncenter" title="patanjali" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/patanjali-182x300.jpg" alt="" width="182" height="300" /></a>Nesta postagem, serão publicados os principais pontos do comentário que Vyāsa faz sobre o Yogasūtra (YS), na sua obra conhecida como Yoga-bhāṣya (YBh). Os sūtras e seus respectivos comentários serão acrescentados ao post no mesmo andamento com que progredimos em nossa leitura durante as aulas. A intenção aqui é manter uma base para os alunos que estão frequentando presencialmente o curso, bem como apresentar esse importante (para não dizer fundamental) comentário do YS de uma forma em que possa ser mais amplamente conhecido.</p>
<p>Os sūtras aparecem em sua versão integral, enquanto que o comentário será transcrito em partes, criando assim uma estrutura de tópicos relevantes para o entendimento do YS.</p>
<p>&#8212;&#8212;</p>
<h3>YS 1.1. atha yogānuśāsanam</h3>
<p>atha &#8211; eis.</p>
<p>yoga &#8211; yoga.</p>
<p>anuśāsanam &#8211; ensinamento.</p>
<blockquote><p>&#8220;Eis o ensinamento do yoga.&#8221;</p></blockquote>
<h4>YBh. 1.1.</h4>
<ul>
<li>atha.ity.ayam adhikāra.arthaḥ &#8211; &#8220;a palavra &#8216;atha&#8217; tem o sentido de início.&#8221;</li>
<li>yogaḥ samādhiḥ &#8211; &#8220;yoga é samādhi.&#8221;</li>
<li>sa ca sarva-bhaumaś cittasya dharmaḥ &#8211; &#8220;(Yoga ou samādhi) está na essência de todos os estados da mente.&#8221;</li>
<li>kṣiptaṃ mūḍhaṃ vikṣiptam ekāgraṃ niruddham iti | &#8220;Os estados da mente são agitado, letárgico, distraído, atento e suspenso.&#8221;</li>
</ul>
<p>&#8212;&#8212;</p>
<h3>YS 1.2. yogaś citta-vṛtti-nirodhaḥ</h3>
<p>yoga &#8211; yoga.</p>
<p>citta &#8211; mente.</p>
<p>vṛtti &#8211; atividade.</p>
<p>nirodha &#8211; suspensão.</p>
<blockquote><p>&#8220;Yoga é a suspensão das atividades da mente.&#8221;</p></blockquote>
<h4>YBh 1.2.</h4>
<ul>
<li>sarva-śabdaāgrahaṇāt samprajṅāto&#8217;pi yoga ity.ākhyāyate  &#8211; &#8220;Por não ter sido utilizada a palavra &#8216;todas&#8217; (sarva), o yoga com cognição também está sendo exposto.&#8221;</li>
<li>cittam hi prakhyā-pravṛtti-sthiti-śīlatvāt triguṇam &#8211; &#8220;Pois a mente, por ter a natureza da clareza, movimento e estaticidade, é consideram como triguṇa.&#8221;</li>
<li>citi-śaktir apariṇāminy-apratisaṃkramā (&#8230;) &#8211; &#8220;A potência da consciência<span style="font-family: FreeSerif,serif;"> é anterior à manifestação, tem dentro de si a objetividade (&#8230;)&#8221;</span></li>
</ul>
<p><span style="font-family: FreeSerif,serif;">&#8212;&#8212;</span></p>
<h3><span style="font-family: FreeSerif,serif;">YS 1.3.  tadā draṣṭuḥ svarūpe&#8217;vasthānam </span></h3>
<p>tadā &#8211; então</p>
<p>draṣṭṛ &#8211; observador</p>
<p>svarūpa &#8211; própria forma</p>
<p>avasthāna &#8211; presença</p>
<blockquote><p>&#8220;Desse modo, o observador fica presente em sua própria forma.&#8221;</p></blockquote>
<h4><span style="font-family: FreeSerif,serif;">YBh 1.3. </span></h4>
<blockquote>
<ul>
<li>svarūpa-pratiṣṭhā tadānīṃ citi-śaktir yathā kaivalye &#8211; &#8220;Agora, estando presente em sua própria forma, a potência da consciência está em isolamento.&#8221;</li>
<li>vyutthāna-citte tu sati tathāpi bhavatī na tathā &#8211; &#8220;Ainda que também seja assim na mente exteriorizada, ela não se comporta da mesma forma.&#8221;</li>
</ul>
</blockquote>
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		<item>
		<title>Yoga-sūtra &#8211; tradução do comentário de Vyāsa (1.1-11)</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=775</link>
		<comments>http://www.blog.om.pro.br/?p=775#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 21:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Língua Sânscrita]]></category>
		<category><![CDATA[Yogasūtra]]></category>
		<category><![CDATA[comentário sânscrito]]></category>
		<category><![CDATA[manas]]></category>
		<category><![CDATA[Patañjali]]></category>
		<category><![CDATA[yoga]]></category>
		<category><![CDATA[Yogabhāṣya]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse é o início do texto de estudo do curso que darei sobre o Yoga-sūtra, de Patañjali, que começará na próxima sexta-feira (03.02.2012). Para mais informações sobre o curso:
http://www.blog.om.pro.br/?p=756

Yoga-sūtra, livro 1, com o Yoga-bhāsya, de Vyāsa
अथ योगानुशासनम् &#124;&#124;१&#124;&#124;
Eis o ensinamento do yoga. (1)
&#160;
अथ योगानुशासनम् &#124; अथेत्ययमधिकारार्थः &#124; योगानुशासनं शास्त्रमधिकृतं वेदितव्यम् &#124; योगः समाधिः &#124; स च सर्वभौमश्चित्तस्य धर्मः &#124; क्षिप्तं मूढं विक्षिप्तमेकाग्रं निरुद्धमिति चित्तभूमयः &#124;
तत्र विक्षिप्ते चेतसि विक्षेपोपसर्जनीभूतः समाधिर्न योगपक्षे वर्तते &#124; यस्त्वेकाग्रे चेतसि सद्भूतमर्थं प्रद्योतयति क्षिणोति च क्लेशान्कर्मबन्धानि श्लथयति निरोधमभिमुखं करोति स संप्रज्ञातो योग इत्याख्यायते &#124; स च वितर्कानुगतो विचारानुगत आनन्दानुगतोऽस्मितानुगत इत्युपरिष्टान्निवेदयिष्यामः &#124; सर्ववृत्तिनिरोधे त्वसंप्रज्ञातः समाधिः &#124;&#124;१&#124;&#124;
&#160;
Eis o ensinamento do yoga. A palavra &#8220;eis&#8221; tem o sentido de início. Deve ser entendido que um tratado de ensinamento do yoga foi iniciado. Yoga é samādhi. Ele (samādhi) é a essência de todos os estados da mente. Agitada, ausente, dispersa, focada e suspensa são as condições da mente. Assim, quando a ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="CENTER">Esse é o início do texto de estudo do curso que darei sobre o Yoga-sūtra, de Patañjali, que começará na próxima sexta-feira (03.02.2012). Para mais informações sobre o curso:</p>
<p align="CENTER"><a href="http://www.blog.om.pro.br/?p=756">http://www.blog.om.pro.br/?p=756</a></p>
<p align="CENTER"><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/05/yogi_wearing_his_sacred_thread_yajnopavita_hb66.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-286" title="yogi_wearing_his_sacred_thread_yajnopavita_hb66" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/05/yogi_wearing_his_sacred_thread_yajnopavita_hb66-226x300.jpg" alt="" width="226" height="300" /></a></p>
<h1 align="CENTER">Yoga-sūtra, livro 1, com o Yoga-bhāsya, de Vyāsa</h1>
<p>अथ योगानुशासनम् ||१||</p>
<p>Eis o ensinamento do yoga. (1)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>अथ योगानुशासनम् | अथेत्ययमधिकारार्थः | योगानुशासनं शास्त्रमधिकृतं वेदितव्यम् | योगः समाधिः | स च सर्वभौमश्चित्तस्य धर्मः | क्षिप्तं मूढं विक्षिप्तमेकाग्रं निरुद्धमिति चित्तभूमयः |</p>
<p>तत्र विक्षिप्ते चेतसि विक्षेपोपसर्जनीभूतः समाधिर्न योगपक्षे वर्तते | यस्त्वेकाग्रे चेतसि सद्भूतमर्थं प्रद्योतयति क्षिणोति च क्लेशान्कर्मबन्धानि श्लथयति निरोधमभिमुखं करोति स संप्रज्ञातो योग इत्याख्यायते | स च वितर्कानुगतो विचारानुगत आनन्दानुगतोऽस्मितानुगत इत्युपरिष्टान्निवेदयिष्यामः | सर्ववृत्तिनिरोधे त्वसंप्रज्ञातः समाधिः ||१||</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eis o ensinamento do yoga. A palavra &#8220;eis&#8221; tem o sentido de início. Deve ser entendido que um tratado de ensinamento do yoga foi iniciado. Yoga é samādhi. Ele (samādhi) é a essência de todos os estados da mente. Agitada, ausente, dispersa, focada e suspensa são as condições da mente. Assim, quando a mente está dispersa, em um estado submisso à dispersão, o samādhi não ocorre segundo o yoga. Aquilo que, na mente focada, ilumina a realidade essencial, destrói as aflições, solta os laços do karma e leva à suspensão, é conhecido como saṃprajñāta. E é seguido de contemplação densa, contemplação sutil, êxtase e identidade, como será explicado adiante. Com a suspensão de todas as atividades, ocorre o samādhi asaṃprajñāta. (1)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>योगश्चित्तवृत्तिनिरोधः ||२||</p>
<p>Yoga é a suspensão das atividades da mente. (2)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>तस्य लक्षणाभिधित्सयेदं सूत्रं प्रवर्तते | योगश्चित्तवृत्तिनिरोधः | सर्वशब्दाग्रहणात्संप्रज्ञातोऽपि योग इत्याख्यायते | चित्तं हि प्रख्याप्रवृत्तिस्थितिशीलत्वात् त्रिगुणम् | प्रख्यारूपं हि चित्तसत्त्वं रजस्तमोभ्यां संसृष्टमैश्वर्यविषयप्रियं भवति | तदेव तमसाऽनुविद्धमधर्माज्ञानावैराग्यानैश्वर्योपगं भवति | तदेव प्रक्षीणमोहावरणं सर्वतः प्रद्योतमानमनुविद्धं रजोमात्रया धर्मज्ञानवैराग्यैश्वर्योपगं भवति | तदेव रजोलेशमलापेतं स्वरूपप्रतिष्ठं सत्त्वपुरुषान्यताख्यातिमात्रं धर्ममेघध्यानोपगं भवति | तत्परं प्रसंख्यानमित्याचक्षते ध्यायिनः |</p>
<p>Esse sūtra inicia com a intenção de descrever as características do yoga. Yoga é a suspensão das atividades da mente. Devido a não utilizar a palavra “todas”, mesmo o saṃprajñāta é considerado como yoga. Pois a mente é dotada dos três guṇas, visto que se comporta com clareza, movimento e estaticidade. O sattva na mente, cuja natureza é a clareza, misturado com rajas e tamas, leva ao desejo pelo poder e pelos objetos. E ela, ligada ao tamas, torna-se sem virtude, ignorante, dependente e impotente. Quando está ligada somente a rajas, o envolvimento pela ilusão desaparece completamente, fica reluzente, e se torna virtuosa, independente e potente. E, ao perder as impurezas dos traços de rajas, permanece sobre sua própria forma, torna-se uma revelação única da distinção entre o sattva e o Puruṣa, tornando-se contemplação da nuvem de virtude. Ela é considerada como a suprema discriminação pelos dhyānins.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>चितिशक्तिरपरिणामिन्यप्रतिसंक्रमा दर्शितविषया शुद्धा चानन्ता च सत्त्वगुणात्मिका चेयमतो विपरीता विवेकख्यातिरिति |अतस्तस्यां विरक्तं चित्तं तामपि ख्यातिं निरुणद्धि | तदवस्थं चित्तं संस्कारोपगं भवति स निर्बीजः समाधिः | न तत्र किंचित्संप्रज्ञायत इत्यसंप्रज्ञातः | द्विविधः स योगश्चित्तवृत्तिनिरोध इति ||२||</p>
<p>A potência da consciência (citi-śakti) é imutável, é anterior à manifestação, tem dentro de si a objetividade, é pura e infinita, e tem sattva como essência. No seu oposto está a percepção discriminativa (cf. YS 2.26, 2.28). Por isso, a mente que é desapegada, suspende essa percepção. Aí estando, a mente, conecta-se à sua impressão latente (saṃskāra). Esse é o samādhi nirbīja. Não há nada aí que possa ser cognizado (saṃprajñāta), eis o asaṃprajñāta. A suspensão das atividades da mente possui duas formas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>तदवस्थे चेतसि विषयाभावद् बुद्धिबोधात्मा पुरुषः किंस्वभाव इति ?</p>
<p>Estando a mente aí presente, devido à ausência da objetividade, qual será a natureza do puruṣa, que é a essência da cognição (bodha) do intelecto (buddhi)?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>तदा द्रष्टुः स्वरूपेऽवस्थानम् ||३||</p>
<p>Desse modo, o observador fica presente em sua própria forma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>तदा द्रष्टुः स्वरूपेऽवस्थानम् | स्वरूपप्रतिष्ठा तदानीं चितिशक्तिर्यथा कैवल्ये | व्युत्थानचित्ते तु सति तथापि भवन्ती न तथा ||३||</p>
<p>Desse modo, o observador fica presente em sua própria forma. Agora estando presente na sua própria forma, a potência da consciência está em isolamento (kaivalya). Ainda que também seja assim na mente exteriorizada, ela não se comporta da mesma forma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>कथं तर्हि ? दर्शितविषयत्वाद् वृत्तिसारूप्यमितरत्र |</p>
<p>Se não é assim, como é? Do contrário, ocorre uma identificação com as atividades devido aos objetos percebidos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>वृत्तिसारूप्यमितरत्र ||४||</p>
<p>Do contrário, existe uma identificação com as atividades.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>व्युत्थाने याश्चित्तवृत्तयस्तदविशिष्टवृत्तिः पुरुषः | तथा च सूत्रम् | एकमेव दर्शनं ख्यातिरेव दर्शनमिति | चित्तमयस्कान्तमणिकल्पं संनिधिमात्रोपकारि दृश्यत्वेन स्वं भवति पुरुषस्य स्वामिनः | तस्माच्चित्तवृत्तिबोधे पुरुषस्यानादिः सम्बन्धो हेतुः ||४||</p>
<p>Na exteriorização, o puruṣa possui atividade indistinta das atividades da mente. E da mesma forma diz um sūtra: a percepção (do puruṣa) é única e a revelação (khyāti = buddhi) é a percepção. A mente, semelhante a um imã, adequada simplesmente por estar próxima, devido à sua qualidade de ser objetiva, torna-se posse do puruṣa, seu mestre. Por isso, a relação eterna do puruṣa (com a mente) é a causa de sua apreensão das atividades da mente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>ताः पुनर्निरोद्धव्या बहुत्वे सति चित्तस्य -</p>
<p>Além disso, elas (as atividades), sendo muitas, devem ser suspensas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>वृत्तयः पञ्चतय्यः क्लिष्टऽक्लिष्टाः ||५||</p>
<p>As atividades, em um total de cinco, são aflitivas e não aflitivas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>क्लेशहेतुकाः कर्माशयप्रचयक्षेत्रीभूताः क्लिष्टाः | ख्यातिविषया गुणाधिकारविरोधिन्योऽक्लिष्टाः | क्लिष्टप्रवाहपतिता अप्यक्लिष्टाः | क्लिष्टच्छिद्रेष्वप्यक्लिष्टा भवन्ति अक्लिष्टच्छिद्रेषु क्लिष्टा इति | तथाजातीयकाः संस्कारा वृत्तिभिरेव क्रियन्ते, संस्कारैश्च वृत्तय इति | एवं वृत्तिसंस्कारचक्रमनिशमावर्तते | तदेवं भूतं चित्तमवसिताधिकारमात्मकल्पेन व्यवतिष्ठते प्रलयं वा गच्छतीति ||५||</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As aflitivas, causadoras de aflição, são formadas no terreno dos muitos depósitos do karma. As não aflitivas, relativas à revelação, são opostas ao domínio dos guṇas. Mesmo se encontrando no fluxo das aflitivas, elas são não-aflitivas. As não aflitivas estão presentes também no meio das aflitivas e as aflitivas também estão no meio das não aflitivas. E, segundo cada tipo, os samskāras são produzidos pelas atividades e as atividades também são produzidas pelos samskāras. E assim, acontece de forma ininterrupta o ciclo das atividades e dos samskāras. E apenas a mente que está em um estado em que o domínio (dos guṇas) se foi, ou se identifica com o ātman ou entra em pralaya.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>ताः क्लिष्टाश्चाक्लिष्टाश्च पञ्चधा वृत्तयः -</p>
<p>Essas as cinco atividades, aflitivas e não aflitivas:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>प्रमाणविपर्ययविकल्पनिद्रास्मृतयः ||६||</p>
<p>Constatação, engano, abstração, sono e memória.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>तत्र प्रत्यक्षानुमानागमाः प्रमाणानि ||७||</p>
<p>Percepção, inferência e transmissão são a constatação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>इन्द्रियप्रणालिकया चित्तस्य बाह्यवस्तूपरागात्तद्विषयः सामान्यविशेषात्मनोऽर्थस्य विशेषावधारणप्रधाना वृत्तिः प्रत्यक्षं प्रमाणम् | फलमविशिष्टः पौरुषेयश्चित्तवृत्तिबोधः | बुद्धेः प्रतिसंवेदी पुरुष इत्युपरिष्टादुपपादयिष्यामः | अनुमेयस्य तुल्यजातीयेष्वनुवृत्तो भिन्नजातीयेभ्यो व्यावृत्तः सम्बन्धो यः तद्विषया सामान्यावधारणप्रधाना वृत्तिः अनुमानम् | यथा देशान्तरप्राप्तेर्गतिमच्चन्द्रतारकम् चैत्रवत्, विन्ध्यश्चाप्राप्तिरगतिः | आप्तेन दृष्टोऽनुमितो वार्थः परत्र स्वबोधसंक्रान्तये शब्देनोपदिश्यते, शब्दात्तदर्थविषया वृत्तिः श्रोतुरागमः | यस्याश्रद्धेयार्थो वक्ता न दृष्टानुमितार्थः, स आगमः प्लवते, मूलवक्तरि तु दृष्टानुमितार्थे निर्विप्लवः स्यात् ||७||</p>
<p>A percepção, uma atividade do tipo constatação, é a esfera da mente onde predomina a delimitação das diferenças das coisas, de natureza geral ou específica, em função da influência dos objetos exteriores, pelas vias dos sentidos. O resultado é o despertar dessa atividade como algo relacionado ao puruṣa, indiferenciado (da mente). Adiante, exporemos que &#8220;o puruṣa é aquele que reconhece a buddhi&#8221;.</p>
<p>A atividade inferência é a esfera da mente onde predominam delimitações genéricas, a qual consiste da relação de desconexão com categorias diferentes e de conexão com categorias semelhantes dos objetos de apreensão. Assim, se compara com a pessoa de nome Caitra, a lua e as estrelas, de que se apreende um movimento por locais diferentes, fato que não se apreende do não movimento das montanhas Vindhya.</p>
<p>Um objeto, visto ou inferido por alguém fidedigno, é ensinado com o fim de transmitir uma experiência própria para outro, tal é a atividade transmissão daquele que ouve, relacionada à esfera da mente que provém da palavra. A transmissão é insustentável se seu objeto não foi visto ou inferido por quem fala, sendo não confiável. Mas terá valor no caso de um falante primário por quem o objeto foi visto ou inferido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>विपर्ययो मिथ्याज्ञानमतद्रूपप्रतिष्ठम् ||८||</p>
<p>O engano é uma falsa cognição embasada na ausência de objetividade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>स कस्मान्न प्रमाणम्? यतः प्रमाणेन बाध्यते | भूतार्थविषयत्वात्प्रमाणस्य | तत्र प्रमाणेन बाधनमप्रमाणस्य दृष्टम् | तद्यथा द्विचन्द्रदर्शनं सद्विषयेणैकचन्द्रदर्शनेन बाध्यते इति | सेयं पञ्चपर्वा भवत्यविद्या, अविद्यास्मितारागद्वेषाभिनिवेशाः क्लेशा इति | एत एव स्वसंज्ञाभिस्तमो मोहो महामोहस्तामिस्रोऽन्धतामिस्र इति | एते चित्तमलप्रसङ्गेन अभिधास्यन्ते ||</p>
<p>Por que ele não é constatação (pramāṇa)? Por que ele é refutado pela constatação. Visto que a constatação está no âmbito dos objetos existentes. Assim se vê a refutação da não-constatação pela constatação. Por exemplo, a visão de duas luas é refutada pela objetividade da visão de uma única lua. Isso remonta ao grupo das cinco insciências: ignorância (avidyā), individualidade (asmitā), apego (rāga), aversão (dveṣa) e identificação (abhiniveśa), que são as aflições (kleśa). São também conhecidos pelos nomes específicos, tamas, moha, mahāmoha, tamisra e andhatamisra. Eles serão descritos a propósito das impurezas da mente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>शब्दज्ञानानुपाती वस्तुशून्यो विकल्पः ||९||</p>
<p>A abstração segue um conhecimento verbal sem a presença de um objeto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>स न प्रमाणोपारोही, न विपर्ययोपरोही च | वस्तुशून्योत्वेऽपि शब्दज्ञानमाहात्म्यनिबन्धनो व्यवहारो दृश्यते | तद्यथा चैतन्यं पुरुषस्य स्वरूपमिति | यदा चितिरेव पुरुषस्तदा किमत्र केन व्यपदिश्यते? भवति च व्यपदेशे वृत्तिः &#8211; यथा &#8211; चैत्रस्य गौरिति | तथा &#8211; प्रतिषिद्धवस्तुधर्मा निष्क्रियः पुरुषः, तिष्ठति बाणः, स्थास्यति, स्थित इति | गतिनिवृत्तौ धात्वर्थमात्रं गम्यते | तथा अनुत्पत्तिधर्मा पुरुष इति उत्पत्तिधर्मस्याभावमात्रमवगम्यते न पुरुषान्वयी धर्मः | तस्माद्विकल्पितः स धर्मः, तेन चास्ति व्यवहार इति ||९||</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ela não está contida nem na constatação nem no engano. Mesmo não tendo a presença de um objeto, nota-se uma atividade mantida pelo poder do conhecimento verbal. Por exemplo, &#8220;o puruṣa tem caitanya como sua natureza&#8221;. Sendo que puruṣa é citi, então o que é definido pelo quê? Nessa afirmação, a atividade (vṛtti) é como em &#8220;Caitra tem uma vaca&#8221;. Ou como &#8220;ele não pode ser dotado de nenhum atributo&#8221; e &#8220;ele é inativo&#8221;. &#8220;A flecha está, estará e esteve&#8221;. O sentido da raiz verbal expressa apenas a interrupção do movimento. Assim como em &#8220;puruṣa não tem nascimento&#8221;, apenas se expressa a inexistência da qualidade nascimento e não uma qualidade inerente ao puruṣa. Por isso, ela é uma qualidade abstrata e através dela a atividade tem existência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>अभावप्रत्ययालम्बना वृत्तिर्निद्रा ||१०||</p>
<p>O sono é a atividade que se fundamenta sobre a cognição da não-existência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>सा च संप्रबोधे प्रत्यवमर्शात्प्रत्ययविशेषः | कथम्? सुखमहम् स्वाप्सम् प्रसन्नं मे मनः प्रज्ञां मे विशारदीकरोति; दुःखमहमस्वाप्सं स्त्यानं मे मनो भ्रमत्यनवस्थितम्; गाढं मूढोऽहमस्वाप्सम् गुरुणि मे गात्राणि, अलान्तं चित्तम् अलसं मुषितमिव तिष्ठतीति | स खल्वयं प्रत्यवमर्शो स्यादसति प्रत्ययानुभवे | तदाश्रिताः स्मृतयश्च तद्विषया न स्युः | तस्माद्प्रत्ययविशेषो निद्रा | सा च समाधावितरप्रत्ययवन्निरोद्धव्येति ||१०||</p>
<p>E ele traz um tipo especial de cognição, no despertar, a partir da contemplação. Como? &#8220;Dormi bem, minha mente está límpida e faz com que meu pensamento esteja lúcido&#8221;, &#8220;dormi mal, minha mente está pesada e vagueia sem cessar&#8221;, &#8220;dormi excessivamente, sinto torpor e meus membros estão pesados, minha mente está cansada e indolente, como se estivesse ausente&#8221;. Se não existisse uma impressão da cognição, essa memória certamente não existiria. Nem as memórias baseadas nela (a atividade do sono) existiriam em seu campo. Portanto, o sono é um tipo especial de cognição. Tal como as outras formas de cognição, deve ser suspensa, objetivando o samādhi.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>अनुभूतविषयासंप्रमोषः स्मृतिः ||११||</p>
<p>किं प्रत्ययस्य चित्तं स्मरति आहोस्विद्विषयस्येति? ग्राह्योपरक्तः प्रत्ययो ग्राह्यग्राहणोभयाकारनिर्भासस्तज्जातीयकं संस्कारमारभते | स संस्कारः स्वव्यञ्जकाञ्जनस्तदाकारामेव ग्राह्यग्रहणोभयात्मिकां स्मृतिं जनयति |</p>
<p>तत्र ग्रहणाकारपूर्वा बुद्धिः | ग्राह्याकारपुर्र्वा स्मृतीः | सा च द्वयी भावितस्मर्तव्या चाभवितस्मर्तव्या च | स्वप्ने भावितस्मर्तव्या | जाग्रत्समये त्वभावितस्मर्तव्येति | सर्वाश्चैताः स्मृतयः प्रमाणविपर्ययविकल्पनिद्रास्मृतीनामनुभवात्प्रभवन्ति | सर्वाश्चैता वृत्तयः सुखदुःखमोहात्मिकाः | सुखदुःखमोहाश्च क्लेशेषु व्याख्येयाः | सुखानुशयी रागः दुःखानुशयी द्वेषः, मोहः पुनरविद्येति | एताः सर्वा वृत्तयो निरोद्धव्याः | आसां निरोधे संप्रज्ञातो वा समाधिर्भवत्यसंप्रज्ञतो वेति ||११||</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De que a mente se recorda: da cognição ou do objeto? A cognição, influenciada pelas coisas percebidas, ilumina tanto a forma da coisa percebida como do ato de percepção, dando início às reminiscências (samskāra) correspondentes. Essa reminiscência, sendo dotada do poder de manifestação, dá origem à memória, que tem por natureza a coisa percebida e o ato de perceber. A forma do ato de perceber precede a inteligência. A forma da coisa percebida precede a memória. Ela tem dois tipos: a recordação daquilo que já foi experimentado e a recordação daquilo que nunca foi experimentado. Durante o sono, a recordação do que foi experimentado. Durante o período da vigília, a recordação do que não foi experimentado. E todas essas memórias se originam da constatação, engano, abstração, sono e memória. E todas essas atividades (vṛtti) possuem a natureza do prazer, da dor e da ilusão. Prazer, dor e ilusão serão descritos quando se falar sobre as aflições (kleśa). O apego segue o prazer. A aversão segue a dor. Ilusão é novamente insciência. Todas essas atividades devem ser suspensas. E com a suspensão delas, vem o samādhi, seja com cognição, seja sem cognição.</p>
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		<title>CURSO: Leitura e estudo do Yogasūtra de Patañjali</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=756</link>
		<comments>http://www.blog.om.pro.br/?p=756#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 22:44:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[CURSOS]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Língua Sânscrita]]></category>
		<category><![CDATA[Yogasūtra]]></category>
		<category><![CDATA[comentário sânscrito]]></category>
		<category><![CDATA[Patañjali]]></category>
		<category><![CDATA[samādhi]]></category>
		<category><![CDATA[yoga]]></category>

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		<description><![CDATA[
com João Carlos B. Gonçalves
Nos encontros desse curso teremos a oportunidade de ler o Yoga-sūtra de Patañjali a partir do original sânscrito. O objetivo é percorrer esse tratado, verso por verso, expondo os significados de cada palavra e da composição original.
Na explicação dos sūtras, utilizaremos um comentário antigo, atribuído a Vyāsa, conhecido como Yoga-bhāṣya, que é a base tradicional que orienta grande parte dos comentários atuais. (para conhecer o comentário utilizado no curso, clique aqui)
As aulas são expositivas e possuem o seguinte formato: entoação do mantra a Patañjali,  recitação do sūtra,  exposição palavra por palavra, comentário e expansão do sentido do sūtra e meditação sobre o ensinamento.
Local: Ananda Iyengar Yoga Shala
Rua Alves Guimarães, 1512 &#8211; Vila Madalena (Metrô Sumaré)
Horário: Sexta-feira, das 14:00 às 15:00
Mensalidade: R$ 150,00*
* para os alunos que frequentarem este curso conjuntamente com o Curso de Sânscrito, será dado um desconto no valor de R$ 60,00, resultando numa ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/05/yogi_wearing_his_sacred_thread_yajnopavita_hb66.jpg"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-286" title="yogi_wearing_his_sacred_thread_yajnopavita_hb66" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/05/yogi_wearing_his_sacred_thread_yajnopavita_hb66-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: right;">com João Carlos B. Gonçalves</p>
<p>Nos encontros desse curso teremos a oportunidade de ler o Yoga-sūtra de Patañjali a partir do original sânscrito. O objetivo é percorrer esse tratado, verso por verso, expondo os significados de cada palavra e da composição original.</p>
<p>Na explicação dos sūtras, utilizaremos um comentário antigo, atribuído a Vyāsa, conhecido como Yoga-bhāṣya, que é a base tradicional que orienta grande parte dos comentários atuais. (<a href="http://www.blog.om.pro.br/?p=775">para conhecer o comentário utilizado no curso, clique aqui</a>)</p>
<p>As aulas são expositivas e possuem o seguinte formato: entoação do mantra a Patañjali,  recitação do sūtra,  exposição palavra por palavra, comentário e expansão do sentido do sūtra e meditação sobre o ensinamento.</p>
<p>Local: Ananda Iyengar Yoga Shala</p>
<p>Rua Alves Guimarães, 1512 &#8211; Vila Madalena (Metrô Sumaré)</p>
<p>Horário: Sexta-feira, das 14:00 às 15:00</p>
<p>Mensalidade: R$ 150,00*</p>
<p>* para os alunos que frequentarem este curso conjuntamente com o Curso de Sânscrito, será dado um desconto no valor de R$ 60,00, resultando numa mensalidade de R$ 270,00 para os dois cursos.</p>
<p>Início: 3 de fevereiro</p>
<p>Em caso de interesse, envie a ficha de inscrição (<a href="http://www.om.pro.br/downloads/yogasutra.rtf">clique aqui para baixar</a>) preenchida para joao@om.pro.br</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Curso de sânscrito &#8211; módulo introdutório: alfabetização, pronúncia e recitação.</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=742</link>
		<comments>http://www.blog.om.pro.br/?p=742#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 13:33:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[CURSOS]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[
As aulas são destinadas aos alunos iniciantes e aos que já tiveram algum contato com o sânscrito mas que desejam consolidar uma boa leitura da escrita devanágari. O objetivo é apresentar características básicas do sânscrito, e sua principal escrita, familiarizando o aluno com os textos compostos nesta língua.
Durante o módulo, será ensinada a escrita devanágari, de forma detalhada, com práticas e exercícios coletivos de leitura, escrita e recitação de textos previamentes escolhidos, de interesse dos praticantes de yoga.
O curso tem duração de um semestre letivo (fevereiro a junho), com uma aula semanal de 1h15min de duração.
Clique aqui para baixar o arquivo com as orientações gerais para os alunos.
Clique aqui para conhecer o conteúdo da primeira aula.
Obs.: Este módulo é o pré-requisito para que o aluno possa frequentar os demais cursos (&#8220;Língua Sânscrita&#8221;, &#8220;Sânscrito para leitura de textos de Yoga&#8221;). Caso já seja alfabetizado, ou tenha conhecimento básico da língua, e ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/04/the_great_triad_of_lakshmi_ganesha_and_saraswati_pk61.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-187" title="the_great_triad_of_lakshmi_ganesha_and_saraswati_pk61" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2009/04/the_great_triad_of_lakshmi_ganesha_and_saraswati_pk61-300x104.jpg" alt="" width="300" height="104" /></a></p>
<p>As aulas são destinadas aos alunos iniciantes e aos que já tiveram algum contato com o sânscrito mas que desejam consolidar uma boa leitura da escrita devanágari. O objetivo é apresentar características básicas do sânscrito, e sua principal escrita, familiarizando o aluno com os textos compostos nesta língua.<br />
Durante o módulo, será ensinada a escrita devanágari, de forma detalhada, com práticas e exercícios coletivos de leitura, escrita e recitação de textos previamentes escolhidos, de interesse dos praticantes de yoga.</p>
<p>O curso tem duração de um semestre letivo (fevereiro a junho), com uma aula semanal de 1h15min de duração.</p>
<p><a href="http://www.om.pro.br/downloads/diretrizes-curso-sanscrito.pdf">Clique aqui para baixar o arquivo com as orientações gerais para os alunos.</a></p>
<p><a href="http://www.om.pro.br/downloads/aula-de-sanscrito-01.pdf">Clique aqui para conhecer o conteúdo da primeira aula.</a></p>
<p>Obs.: Este módulo é o pré-requisito para que o aluno possa frequentar os demais cursos (&#8220;Língua Sânscrita&#8221;, &#8220;Sânscrito para leitura de textos de Yoga&#8221;). Caso já seja alfabetizado, ou tenha conhecimento básico da língua, e esteja interessado nos demais cursos, favor entrar em contato por e-mail.</p>
<p style="text-align: center;">O CURSO SERÁ OFERECIDO EM DUAS TURMAS (ÀS QUARTAS E ÀS SEXTAS)</p>
<p style="text-align: center;">ॐ ॐ ॐ</p>
<p>Quartas-feiras, das 10h30 às 11h45 (INÍCIO DAS AULAS: 1º DE FEVEREIRO)</p>
<p>Instituto Gamaya de Yoga e Terapias</p>
<p>Rua Pires da Mota, 1201 &#8211; Aclimação (Metrô Vergueiro)</p>
<p style="text-align: center;">ॐ ॐ ॐ</p>
<p>Sextas-feiras, das 12h30 às 13h45 (INÍCIO DAS AULAS: 3 DE FEVEREIRO)</p>
<p>Ananda Iyengar Yoga Shala</p>
<p>Rua Alves Guimarães, 1512 &#8211; Vila Madalena (Metrô Sumaré)</p>
<p style="text-align: center;">ॐ ॐ ॐ</p>
<p>Mensalidade: R$ 180,00*</p>
<p>* para os alunos que frequentarem este curso conjuntamente com o Curso de Yoga-sūtra, será dado um desconto no valor de R$ 60,00, resultando numa mensalidade de R$ 270,00 para os dois cursos.</p>
<p>Em caso de interesse, envie a ficha de inscrição (<a href="http://www.om.pro.br/downloads/sanscrito-mod-I.rtf">clique aqui para baixar</a>) preenchida para joao@om.pro.br</p>
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		<title>Prática regular de meditação conduzida</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=805</link>
		<comments>http://www.blog.om.pro.br/?p=805#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 12:58:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[CURSOS]]></category>
		<category><![CDATA[Vijñāna-bhairava]]></category>

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		<description><![CDATA[
com João Carlos B. Gonçalves
&#160;
A prática de meditação conduzida tem por finalidade amparar o aluno iniciante em sua busca por estados meditativos. Além do objetivo de “meditar em sala de aula”, outro objetivo é o de oferecer um ensinamento que permita que a meditação propriamente dita seja realizada fora ambiente da aula e sem a condução do professor.
As aulas, com duração de 45 minutos, são divididas em 3 partes:
A primeira parte é dedicada aos āsanas, na qual realizamos cerca de 2 posturas de haṭha-yoga, com o objetivo de trazer consciência ao corpo e melhor fluidez à atividade respiratória.
A seguir, conduzimos uma prática abreviada de yoga-nidrā, fazendo uso da percepção de pontos estratégicos do corpo, o que leva não só a um estado de relaxamento, como também a uma ampliação da receptividade para os “estados meditativos”.
E, por fim, a prática de dhāraṇa,  “prática de foco e atenção”, que concilia mente, respiração ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2010/03/luacheia.jpg"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-363" title="luacheia" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2010/03/luacheia-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></h2>
<p style="text-align: right;">com João Carlos B. Gonçalves</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A prática de meditação conduzida tem por finalidade amparar o aluno iniciante em sua busca por estados meditativos. Além do objetivo de “meditar em sala de aula”, outro objetivo é o de oferecer um ensinamento que permita que a meditação propriamente dita seja realizada fora ambiente da aula e sem a condução do professor.</p>
<p>As aulas, com duração de 45 minutos, são divididas em 3 partes:</p>
<p>A primeira parte é dedicada aos āsanas, na qual realizamos cerca de 2 posturas de haṭha-yoga, com o objetivo de trazer consciência ao corpo e melhor fluidez à atividade respiratória.</p>
<p>A seguir, conduzimos uma prática abreviada de yoga-nidrā, fazendo uso da percepção de pontos estratégicos do corpo, o que leva não só a um estado de relaxamento, como também a uma ampliação da receptividade para os “estados meditativos”.</p>
<p>E, por fim, a prática de dhāraṇa,  “prática de foco e atenção”, que concilia mente, respiração e percepção corporal/sensorial. Tais práticas, provenientes da tradição antiga do shivaísmo, ampliam o estado de concentração descontraída e preparam o aluno para possibilidades de experimentação de outros estados de consciência, descritos na tradição antiga como “fusão entre a consciência individual e a consciência universal.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundas-feiras, das 18:30 às 19:15 &#8211; Ananda Iyengar Yoga Shala</p>
<p>Quartas-feiras, das 18:15 às 19:00 &#8211; Instituto Gamaya de Yoga e Terapias</p>
<p>Mensalidade: R$ 110,00*</p>
<p>* R$ 90,00 para alunos regulares do Ananda Iyengar Yoga Shala ou do Instituto Gamaya e para alunos que frequentam cursos extensivos com o Prof. João Carlos B. Gonçalves nestes ou em qualquer outro espaço.</p>
<p>Em caso de interesse, envie a ficha de inscrição (<a href="http://www.om.pro.br/downloads/meditacao.rtf">clique aqui para baixar</a>) preenchida para joao@om.pro.br</p>
<p style="text-align: center;">ॐ ॐ ॐ</p>
<p>Ananda Iyengar Yoga Shala</p>
<p>Rua Alves Guimarães, 1512 &#8211; Vila Madalena (Metrô Sumaré)</p>
<p style="text-align: center;">ॐ ॐ ॐ</p>
<p style="text-align: left;">Instituto Gamaya de Yoga e Terapias</p>
<p style="text-align: left;">Rua Pires de Mota, 1201 &#8211; Aclimação (Metrô Vergueiro)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Shivaísmo da Caxemira (3): as três faculdades</title>
		<link>http://www.blog.om.pro.br/?p=703</link>
		<comments>http://www.blog.om.pro.br/?p=703#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 23:55:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João CB Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caxemira]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[icchā]]></category>
		<category><![CDATA[jñāna]]></category>
		<category><![CDATA[kriyā]]></category>
		<category><![CDATA[meditação]]></category>
		<category><![CDATA[Shivaísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Śiva]]></category>
		<category><![CDATA[śiva-śakti]]></category>

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		<description><![CDATA[
Shivaísmo da Caxemira (1)
Shivaísmo da Caxemira (2)
De acordo com a tradição shivaíta, a consciência humana individual possui a mesma essência da consciência divina universal. Quando aqui se fala de consciência (caitanya, entre outras palavras), o sentido desse termo compreende todo o conjunto de nossa presença, nos seus aspectos cognitivos e afetivos, relativo a tudo o que vivenciamos interiormente nos níveis da vigília, do sono ou do sonho. Nesse sentido, somos consciência. Todas as expressões de um indivíduo se originam dessa essência luminosa chamada consciência. E essa luz é essencialmente idêntica à luz divina.
Coerente com o reconhecimento dessa identidade entre ser humano e ser divino, está a idéia de que a vivência da realidade acontece em vários níveis de existência. Esses vários níveis se desdobram do sutil ao denso, ou do denso ao sutil, conforme o ponto de vista que se adota, seja o da consciência de Shiva ou o do ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/shivalinga.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-637" title="shivalinga" src="http://www.om.pro.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/shivalinga.jpg" alt="" width="284" height="252" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.blog.om.pro.br/?p=634">Shivaísmo da Caxemira (1)</a></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.blog.om.pro.br/?p=650">Shivaísmo da Caxemira (2)</a></p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com a tradição shivaíta, a consciência humana individual possui a mesma essência da consciência divina universal. Quando aqui se fala de consciência (caitanya, entre outras palavras), o sentido desse termo compreende todo o conjunto de nossa presença, nos seus aspectos cognitivos e afetivos, relativo a tudo o que vivenciamos interiormente nos níveis da vigília, do sono ou do sonho. Nesse sentido, somos consciência. Todas as expressões de um indivíduo se originam dessa essência luminosa chamada consciência. E essa luz é essencialmente idêntica à luz divina.</p>
<p style="text-align: justify;">Coerente com o reconhecimento dessa identidade entre ser humano e ser divino, está a idéia de que a vivência da realidade acontece em vários níveis de existência. Esses vários níveis se desdobram do sutil ao denso, ou do denso ao sutil, conforme o ponto de vista que se adota, seja o da consciência de Shiva ou o do ser humano, respectivamente.</p>
<p style="text-align: justify;">No campo de extrema sutileza, reside a unidade, e, no campo da densidade, reside a multiplicidade. Somos unos no campo da transcendência e múltiplos na manifestação material. Somos uma coisa e outra. Os estados meditativos, mesmo para os adeptos que estão no início, mostram que é possível estar presente em estados de consciência que distanciam e relativizam as preocupações de ordem individual. É nessa direção que está a trajetória do indivíduo rumo ao estado de consciência universal.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista da unidade da consciência divina, toda multiplicidade é integrada pela unidade. Há, na presença da consciência divina, todas as consciências individuais, bem como toda forma de manifestação material. Não existe distinção entre Shiva e Shakti no nível supremo (ver <a title="Śiva e Śakti" href="http://www.blog.om.pro.br/?p=483">Śiva e Śakti</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">O desdobramento que leva da unidade para a multiplicidade está relacionado a cinco faculdades (śakti) de Shiva. São as chamadas ānanda-śakti, cit-śakti,  icchā-śakti, jñāna-śakti e kriyā-śakti. Nesta ordem: a faculdade da beatitude, a faculdade da consciência, a faculdade do anseio, a faculdade do conhecimento e a faculdade da ação.</p>
<p style="text-align: justify;">As duas primeiras (ānanda-śakti e cit-śakti) envolvem o plano em que Shiva e Shakti estão em plena identidade. É o estado de unidade plena. É na tríade anseio (icchā), conhecimento (jñāna) e ação (kriyā) que inicia a vivência da dualidade que distingue consciência e matéria, ou, em outra linguagem, essência e manifestação. Com icchā-śakti (faculdade do anseio), inicia-se o processo de emanação: é por meio do anseio que Shiva emana Shakti. A plenitude do ser divino torna-se algo tão intenso que a sua presença transborda de si mesma, permitindo que ela se manifeste sob uma diferente forma. Metaforicamente, é como se Shiva desejasse criar a dualidade para que ele possa vivenciar a si mesmo através do contato com a Shakti.</p>
<p style="text-align: justify;">Os desdobramentos que seguem são os de jñāna-śakti e kriyā-śakti, fazendo então surgir a rede complexa do conhecimento e ação divinas. O ser divino dota-se dos princípios de cognição e atividade. A luz universal é uma consciência ativa, portanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os 5 atributos caracterizam a essência universal. Ela é pura luz, caracterizada pelas faculdades (śaktis) da beatitude, da consciência, do anseio, do conhecimento e da atividade.</p>
<p style="text-align: justify;">As 3 faculdades que caracterizam a experiência dual são o ponto máximo que permite que o indivíduo se identifique com o universal. &#8220;Anseio&#8221;, &#8220;conhecimento&#8221; e &#8220;ação&#8221; estão presentes no indivíduo de forma compacta, isto é, contraída. Cada ser humano é composto por essa tríade, possuindo uma delas como elemento predominante. O fato de serem experiências contraídas no nível individual impede a vivência plena do estado divino. O anseio presente no ser universal torna-se desejo ou aversão imediata no indivíduo. O conhecimento torna-se pensamento condicionado. E a ação torna-se atitude autocentrada.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí então é que se pode compreender o quanto o ser individual realmente compartilha da mesma essência da consciência divina, sendo, entretanto, um &#8220;exemplar&#8221; contraído desta. As práticas meditativas se propõem a dilatar essa experiência do indivíduo, procurando proporcionar-lhe a capacidade de refletir o estado pleno das faculdades que caracterizam a consciência universal.</p>
<p style="text-align: justify;">Adapto aqui uma excelente prática relacionada com as 3 śaktis, que Swami Shankarananda apresenta no livro The Yoga of Kashmir Shaivism:</p>
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<p style="text-align: justify;">Concentrar-se na região central do peito e observar ali seus desejos, afetos, emoções, do ponto de vista mais individual possível, conforme se manifesta cotidianamente. A seguir, concentrar na região dos entrecilhos (entre as sobrancelhas) e observar os pensamentos, julgamentos e demais faculdades intelectivas. Observar então, na região do umbigo, as atividades, a índole ativa e intenções de movimento. O passo seguinte é expandir essas faculdades contraídas, observando, na região do peito, o anseio divino, sob a idéia do &#8220;amor incondicional&#8221;. Na região dos intercílios, observar a &#8220;sabedoria infinita&#8221;. E, na região do umbigo, a &#8220;ação desinteressada&#8221;. Por fim, manter um estado contemplativo, sem mais avaliar ou projetar idéia alguma, apenas contemplando as 3 regiões do corpo ao mesmo tempo. Pode-se realizar essa prática em cerca de 15 minutos, dedicando-se 5 minutos aos aspectos individuais, 5 aos aspectos universais e mais 5 à mera contemplação.</p>
</blockquote>
<h6>dica: veja o post <a title="Hamsah" href="http://www.blog.om.pro.br/?p=184">A meditação natural e ininterrupta</a> para conhecer dicas gerais sobre o preparo para a prática de meditação.</h6>
<h6>* a foto (tirada por mim) mostra um Yoni-liṅga (símbolo da conjunção essencial entre consciência e matéria) de um templo shivaíta em Khajuraho.</h6>
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